Archive for the ‘arte’ Category

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Aquarela do Brasil – Desenho Walt Disney

22 de maio de 2011
Feito inteiramente à mão, sem computadores ou recursos mágicos do cinema atual, Walt Disney fez este desenho nos anos 50 – época do final da Segunda Guerra Mundial –  para atender a uma solicitação do governo americano que desejava uma política de aproximação com o Brasil; para evitar que o nosso país se tornasse comunista.
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28 de outubro, DIA – Dia Internacional da Animação na Estância Turística de Ribeirão Pires, SP

18 de outubro de 2009


O DIA – Dia Internacional da Animação – é celebrado todos os anos sempre no dia 28 de outubro, data em que se comemora a primeira exibição pública de imagens animadas. Mais de 400 cidades do Brasil, organizadas pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e 30 países, como França, Estados Unidos, África do Sul, China e Austrália, que fazem intercâmbio de suas mostras participam da comemoração. É o maior evento simultâneo do gênero do mundo, que tem como principal objetivo difundir o cinema de animação, atraindo novos públicos e proporcionando aos espectadores o acesso a essa arte cinematográfica.
 

E em Ribeirão Pires, pelo segundo ano consecutivo, o evento será realizado pelo Cineclube Cidadãos Artistas em parceria com ARCA (Associação Ribeirãopirense de Cidadãos Artistas), FundAÇÃO KAH-HUM-KAH e Projeto Oficinativa que preparou uma programação especial: exibição de curtas-metragens nacionais e internacionais de desenhos animados e oficinas de técnicas de animação cinematográfica.

Todas as atividades são gratuitas.

 

Mais informações:

www.abca.org.br

cidadaosartistas@gmail.com

projetooficinativa@hotmail.com

fabi_menassi@yahoo.com.br

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Morte Cansada – Der Mude Tod, 1921.

2 de maio de 2009

Ficção, Pb, 99 minutos.

Dir: Fritz Lang  – (diretor do expressionismo alemão, seu trabalho mais conhecido é Metropolis ,1927, obra que representa a relação entre as máquinas e os trabalhadores nas grandes cidades, com ênfase pro sentimento de humanidade perdido no processo. E também foca o receio dos homens com as consequencias decorrentes das mudanças futuras que correm de forma vertiginosa. Este filme é um de seus maiores trabalhos e precede muito antes os hollywoodianos: The Matrix, Star Wars, Blade Runner, 2001: a space odyssey).

 

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Este filme tem um significado especial, o conheci através de uma exibição organizada por amigos do Cineclube Pilar de Mauá/SP – http://cineclubepilar.blogspot.com/ no teatro muncipal local em 30 de abril de 2009. Ocasião em que tive oportunidade de conversar e conhecer pessoas legais – um dos encantos das ações cineclubistas.

“A morte cansada” faz parte da geração de filmes mudos e apesar das diferenças, se comparadas à situação do cinema atual, possui muito encantamento para os dias de hoje. A história se passa num vilarejo europeu do séc XIX em torno de um jovem casal.

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A Morte leva um jovem que estava prestes a se casar. Sua noiva, aos prantos, suplica que devolva a vida de seu amor.

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 A Morte, cansada de seu trabalho e do ódio dos homens, resolve dar à jovem desesperada uma chance de superá-lo e como prêmio devolver a vida do noivo. O desafio proposto à moça consiste em evitar a morte de três vidas prestes a perecer, cada qual representada por uma vela.

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No filme a vela representa a história de vida de cada pessoa num local diferente. São mostradas as histórias dessas vidas: na exótica Pérsia, na Veneza Renascentista, e na China Imperial. Se ela conseguir evitar que a chama das três velas se apague, terá o amante de volta.

A música clássica e o roteiro provocam as emoções nos espectadores. Outros aspectos técnicos interessantes do filme são as variações de cores para destacar diferentes cenas e seus diferentes cenários. Creio que para a década de 20 “A Morte Cansada” foi um filme avançado e rico em produção. Hoje deve representar um acervo histórico e mostrar curiosidades em torno dos recursos e processos criativos dos cineastas da época do cinema mudo.

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 Apesar da sua história caminhar pela linha do drama, o filme mostra cenas de extrema ternura.

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E tem seus aspectos cômicos marcados em personagens caricatos.

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Existe toda uma metáfora em torno das luzes de velas que no filme representam a vida e as velas, o tempo de vida dos homens. A história se divide então em três luzes, que representam três espaços e tempos diferentes e nelas, a noiva vive um personagem e seu amado outro e a morte se disfarça de outros personagens cruciais para provocar as mortes. Dessa forma a moça está sempre envolvida ou atua como instrumento de uma tragédia. O filme é bem complexo para 1921, tem várias passagens e discussões interessantes e Fritz Lang brinca com o tempo, introduz até mesmo um conceito de uma nova dimensão. A moça vive no filme uma fábula percorrendo três vidas e tragédias diferentes e depois parte para o mundo real, a partir do momento em que sua vida real parou. No mundo real que ela se desenvolve, com um último pedido da “morte”.

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“Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial” (Taare Zameen Par – Every Child is Special)

1 de abril de 2009

Diferentemente do que costumo postar resolvi destacar no blog outros gêneros cinematográficos, ou seja um filme de Bollywood. Este é o primeiro filme indiano, que assisto, porém marcou de tal maneira que aguçou meu desejo de conhecer mais este universo do cinema. Por isso compartilho com vocês uma resenha do filme que espero, assim como o próprio filme, apreciem.

Do que foi mostrado no filme ficou marcado para mim, o modo como a arte e a educação são importantes ferramentas de estímulo ao desenvolvimento de uma pessoa quando aplicadas intencionalmente para a sua felicidade, independente do problema ou desvio que tiver.

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Taare Zameen Par – filme da produção de Bollywood – conta a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser compreendida. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rudez e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai do garoto decide levá-lo a um internato, sem que a mãe possa dar opinião alguma. Tal atitude só faz regredir em Ishaan a vontade de aprender e de ser uma criança. Ele visivelmente entra em depressão, sentindo falta da mãe, do irmão mais velho, da vida… e a filosofia do internato é a de “disciplinar cavalos selvagens”. Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e tão logo percebe que algo de errado estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver. O filme é uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan, já macaco velho nas bandas de Bollywood. Pela primeira vez, após a atuação em sucessivos filmes que lhe deram a fama em anos recentes, Khan quis arriscar-se como diretor e impressionou pela qualidade e sensibilidade neste filme. Ele não só dirige TZP, como produz, com sua Aamir Khan Productions, e também atua no papel do professor substituto. Ishaan Awasthi é interpretado pelo estreante Darsheel Safary, que também surpreendeu pela qualidade de sua atuação. Merecidamente, Safary ganhou o prêmio de melhor ator pela crítica, no mesmo Filmfare Awards deste ano de 2008. Virou celebridade. Além dos prêmios de melhor filme e melhor ator pela crítica, TZP ganhou também o prêmio de melhor direção, para Aamir Khan, e de melhor letra de música. O filme, embora não tenha as exóticas cenas de dança, tem músicas que aparecem como clipes, com imagens que não só ilustram a melodia, mas também fazem parte do decorrer da história. Dentre as músicas (muito boas, por sinal), Maa, que significa “mãe” em hindi, recebeu o prêmio de melhor letra.

Taare Zameen Par – Every Child is Special“, o que significa, exatamente, “Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial“. Embora o filme fale diretamente sobre o caso de uma criança, ele é uma mensagem para o mundo sobre o verdadeiro papel de um educador e formação de um novo ser humano – veja que não digo professor, mas educador. Ao afirmar no título que toda e qualquer criança é especial, que são como estrelas na Terra, a proposta é trazer a idéia de que não podemos negligenciar a diversidade e preciosidade dos projetos de gente de nosso mundo, pois são eles que fazem o futuro.

O filme vai muito além de tocar na sensibilidade de ser criança e educador; ele manda uma mensagem de nosso papel como ser humano – o que na Índia não é tarefa fácil. Aliás, poucos são os próprios indianos que realmente reconhecem o valor desse filme, muito poucos.

Em muitos momentos, Aamir Khan optou por utilizar recursos caricatos para os personagens do filme, sobretudo em relação aos professores de ambas as escolas por que Ishaan passa. Ainda que personagens caricatos possam trazer um grau de irrealidade para a trama, em Taare Zameen Par a caricatura contribui para aumentar a sensação de sofrimento, opressão e incompreensão vivido pelo garoto disléxico. No conjunto, caricaturas e clipes de música ilustram uma ficção que de irreal nada tem; qualquer semelhança entre a ficção e a vida real é mera coincidência, diz, antes do filme começar. Mas o próprio professor Ram Shankar Nikumbh (interpretado por Aamir Khan) lembra às crianças que Einstein, Agatha Christie, Da Vinci e Tomas Edison eram disléxicos e sofreram na infância – TZP é história da vida real. Antes fosse apenas ficção.

Em Taare Zameen Par não há as típicas cenas de dança dos filmes de Bollywood; as músicas aparecem como clipes, mostrando cenas que complementam a história que está sendo contada naquele momento, porém sem diálogos. A primeira a aparecer, por exemplo, mostra a rotina da casa de Ishaan. Num outro momento, Ishaan sai pra rua e anda pela cidade (Mumbai), reparando em detalhes não usuais para uma simples criança de sua idade. Neste momento toca a música Mera Jahan, que, literalmente, significa Meu Mundo. É o que Ishaan vê e reconhece como fazendo parte integrante. Ao voltar pra casa ele elabora o que viu fazendo um desenho – a criatividade artísticas em disléxicos tende a ser mais aflorada, pela sua maneira distinta com que o mundo é compreendido. A música que ficou mais famosa, porém, foi Maa, que significa Mãe, como já disse anteriormente. Quando passa essa música, Ishaan acaba de chegar no internato e sofre demais – sua mãe também. Postarei este clipe pra vocês.

Numa outra música, com o título que dá nome ao filme, vemos o professor Ram Nikumbh em seu emprego na escola pra crianças especiais e depois partindo para a casa de Ishaan, onde irá conversar com seus pais. A música é longa e tão longo é todo esse momento, mas nem percebe-se a música tocar, dada a imensidão de informações passando. Porém, o detalhe mais importante desta passagem está no que faz Ram no caminho até a casa de Ishaan, que não vi indiano nenhum fazendo e nem sequer parando para refletir sobre. No ônibus, o professor ajuda uma mãe com seu bebê; depois, na beira da estrada, paga um chá com biscoitos à criança-empregada do estabelecimento. Em outro momento, andando ao lado da feira, pega a couve-flor que cai no chão. Coisas simples, mas indianos não costumam fazer coisas simples. Simples ajudas, mas indianos não costumam ajudar.

Taare Zameen Par vem também cumprir um importante papel na sociedade indiana. Não se trata de civilizar ou ocidentalizar, mas de trazer um pouco mais de humanidade para o coração hindustani, um pouco mais do senso de individuação, que de nada tem a ver com individualização. Talvez ainda além de mandar uma mensagem sobre o papel do educador, este filme ensina antes o que é ser pai, o que significa e o que implica em ter um filho. Ram Nikumbh, contestando o que o pai de Ishaan disse a ele em certo momento, deixa bem claro o que significa a palavra “cuidar”. E neste momento sublime, alerta para que não aconteça com Ishaan o que acontece com as árvores das Ilhas Salomão, que morrem após as pessoas ficarem gritando à sua volta. Aamir Khan fez uma obra-prima – e talvez a última também. Será difícil que ele faça um filme tão bom como esse de novo.

Texto extraído e adaptado do blog

http://cinemaindiano.blogspot.com/2008/06/como-estrelas-na-terra.html