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Morte Cansada – Der Mude Tod, 1921.

2 de maio de 2009

Ficção, Pb, 99 minutos.

Dir: Fritz Lang  – (diretor do expressionismo alemão, seu trabalho mais conhecido é Metropolis ,1927, obra que representa a relação entre as máquinas e os trabalhadores nas grandes cidades, com ênfase pro sentimento de humanidade perdido no processo. E também foca o receio dos homens com as consequencias decorrentes das mudanças futuras que correm de forma vertiginosa. Este filme é um de seus maiores trabalhos e precede muito antes os hollywoodianos: The Matrix, Star Wars, Blade Runner, 2001: a space odyssey).

 

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Este filme tem um significado especial, o conheci através de uma exibição organizada por amigos do Cineclube Pilar de Mauá/SP – http://cineclubepilar.blogspot.com/ no teatro muncipal local em 30 de abril de 2009. Ocasião em que tive oportunidade de conversar e conhecer pessoas legais – um dos encantos das ações cineclubistas.

“A morte cansada” faz parte da geração de filmes mudos e apesar das diferenças, se comparadas à situação do cinema atual, possui muito encantamento para os dias de hoje. A história se passa num vilarejo europeu do séc XIX em torno de um jovem casal.

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A Morte leva um jovem que estava prestes a se casar. Sua noiva, aos prantos, suplica que devolva a vida de seu amor.

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 A Morte, cansada de seu trabalho e do ódio dos homens, resolve dar à jovem desesperada uma chance de superá-lo e como prêmio devolver a vida do noivo. O desafio proposto à moça consiste em evitar a morte de três vidas prestes a perecer, cada qual representada por uma vela.

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No filme a vela representa a história de vida de cada pessoa num local diferente. São mostradas as histórias dessas vidas: na exótica Pérsia, na Veneza Renascentista, e na China Imperial. Se ela conseguir evitar que a chama das três velas se apague, terá o amante de volta.

A música clássica e o roteiro provocam as emoções nos espectadores. Outros aspectos técnicos interessantes do filme são as variações de cores para destacar diferentes cenas e seus diferentes cenários. Creio que para a década de 20 “A Morte Cansada” foi um filme avançado e rico em produção. Hoje deve representar um acervo histórico e mostrar curiosidades em torno dos recursos e processos criativos dos cineastas da época do cinema mudo.

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 Apesar da sua história caminhar pela linha do drama, o filme mostra cenas de extrema ternura.

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E tem seus aspectos cômicos marcados em personagens caricatos.

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Existe toda uma metáfora em torno das luzes de velas que no filme representam a vida e as velas, o tempo de vida dos homens. A história se divide então em três luzes, que representam três espaços e tempos diferentes e nelas, a noiva vive um personagem e seu amado outro e a morte se disfarça de outros personagens cruciais para provocar as mortes. Dessa forma a moça está sempre envolvida ou atua como instrumento de uma tragédia. O filme é bem complexo para 1921, tem várias passagens e discussões interessantes e Fritz Lang brinca com o tempo, introduz até mesmo um conceito de uma nova dimensão. A moça vive no filme uma fábula percorrendo três vidas e tragédias diferentes e depois parte para o mundo real, a partir do momento em que sua vida real parou. No mundo real que ela se desenvolve, com um último pedido da “morte”.